Conversa de uma hora com cada sócio
Ninguém fala primeiro na frente dos outros. Cada pessoa tem uma hora reservada, sozinha, para dizer o que espera do próprio papel, o que incomoda e o que acha que já está resolvido. As anotações ficam conosco.
Somos uma consultoria de empresa familiar. Existimos desde 2013, somos seis consultores fixos e atendemos empresas com dois a doze sócios da mesma família.
A casa foi aberta em 2013 por dois consultores que vinham de trabalhos de organização interna em indústrias médias. Hoje somos seis pessoas fixas: quatro consultores que conduzem as reuniões, uma pessoa dedicada à redação dos documentos e uma responsável pela agenda e pelos registros.
Atendemos empresas familiares de dois a doze sócios, quase sempre na segunda ou terceira geração, já com diretoria formada e contador próprio. Comércio, indústria leve, transporte e serviços, de quinze a trezentos funcionários. A maior parte dos clientes está em Rio de Janeiro e na região metropolitana; o resto do estado atendemos com viagem combinada na proposta.
O trabalho tem sempre a mesma espinha: entrevista individual com cada sócio, reunião da família conduzida por alguém de fora, redação dos documentos em cinco dias úteis e revisão pelo advogado e pelo contador que a empresa já usa. Cada encontro termina com ata assinada e com a data do próximo.
Um trabalho completo leva cinco semanas e consome, de cada sócio, uma hora de entrevista, dois encontros de meio período e duas leituras de texto com prazo de resposta. O resto é trabalho nosso, e está descrito na proposta antes de qualquer assinatura.
O que não fazemos: não somos escritório de advocacia e não registramos documento em cartório; não substituímos o contador da empresa; não indicamos advogado, banco ou corretora e não recebemos comissão de ninguém; não assumimos cargo de direção nem votamos em conselho de cliente; e não tomamos partido de um ramo da família contra outro — quem contrata é a empresa.

Uma hora com cada sócio, em separado, antes de qualquer reunião conjunta.
A reunião é presidida por consultor da casa, que não vota nem ocupa cargo.
O que foi acordado em reunião volta por escrito na mesma semana.
A minuta segue para o advogado e o contador da própria empresa.
Reunião de família que começa sem preparo vira discussão sobre a mesma frase de dez anos atrás. Por isso a sala só é marcada depois que cada pessoa já disse, em particular, o que pensa — e depois que essas falas viraram uma pauta escrita, com nome e ordem.
Ninguém fala primeiro na frente dos outros. Cada pessoa tem uma hora reservada, sozinha, para dizer o que espera do próprio papel, o que incomoda e o que acha que já está resolvido. As anotações ficam conosco.
Juntamos as falas em uma folha de assuntos: o que já é consenso, o que tem duas leituras e o que ninguém tinha percebido que estava aberto. A folha circula três dias antes do encontro.
Quem conduz a reunião não tem parte no assunto e não vota. Isso tira do sócio mais velho, ou do mais falante, a tarefa de presidir a própria discussão.
O que ficou acordado é escrito por nós em até cinco dias úteis e volta para leitura de todos. Combinado que não é escrito enquanto está fresco muda de forma na memória de cada um.
A minuta segue para o advogado ou contador que a família já usa. Não substituímos nem indicamos profissional: escrevemos o que a família acordou, em linguagem que o jurídico consegue aproveitar.
Relatos de sócios que concluíram o trabalho, publicados com autorização de cada família. Nomes reduzidos a pedido delas.
A descrição de papéis mostrou que duas pessoas assinavam a mesma coisa e uma terceira não assinava nada. Estava assim havia seis anos.
Falar sozinho com alguém de fora foi o que me fez dizer em voz alta o que eu evitava havia tempo. Na sala conjunta a frase já estava pronta.
O calendário com as quatro datas do ano ficou preso na parede da sala. É banal e é a parte que mais mudou a rotina.
Achei que um documento entre irmãos fosse exagero. Quando o terceiro sobrinho quis entrar, a regra de entrada já estava escrita e ninguém precisou improvisar.
A ata de cada encontro foi assinada ali mesmo, na hora. Sem isso a lembrança de cada um teria virado a versão de cada um.
Na primeira ligação ouvimos a situação e devolvemos, por escrito, quais documentos fariam falta primeiro e em que ordem eles costumam ser feitos. Se preferir falar agora, o número é +55 21 98356-4519.